A televisão prometia um Brasil novo, mas o que passava depois da meia-noite mostrava outra coisa.
Os anos 90 chegaram como promessa de futuro. A abertura econômica, os computadores entrando aos poucos nas casas e a televisão em cores vibrantes davam a sensação de que o país finalmente alcançava a modernidade que tanto prometia a si mesmo. Só que por trás dessa vitrine o Brasil ainda carregava as marcas de uma hiperinflação recente, de crises políticas sucessivas e de uma violência urbana que crescia junto com as antenas parabólicas.
Foi uma década de contradição, e é justamente aí que mora o terror deste livro. Em Horrores do Brasil: Anos 90, cada conto revisita esse período por um ângulo diferente: seitas que prometiam salvação em bairros esquecidos, programas de televisão que ninguém sabia explicar direito, crianças que passavam a tarde sozinhas em casa enquanto os pais tentavam sobreviver ao próprio país, igrejas lotadas de gente em busca de algo para se agarrar. O sobrenatural aqui nasce do cotidiano, da fé levada ao limite e da sensação constante de que alguma coisa estava prestes a desmoronar.
Esta é a nova entrada da série Horrores do Brasil, que já revisitou outros períodos da nossa história sob a lente do terror. Olhar para os anos 90 dessa forma é uma maneira de entender melhor de onde viemos e para onde este país ainda está indo.
Contos que usam o cenário, a cultura e o clima político da década como parte essencial da trama, e não apenas como pano de fundo.
Histórias que misturam medo cotidiano, fé e colapso coletivo, sempre a partir de personagens comuns tentando atravessar a década.
Contos que usam alegoria e metáfora para falar do pânico moral, da autoridade e do abandono que marcaram o período.
Fitas VHS gastas, seitas de bairro, programas de televisão estranhos e a insegurança que tomava conta das ruas dão corpo a cada narrativa.
Um jeito diferente de olhar para os anos 90, não como nostalgia, mas como um período que ainda ecoa no Brasil de hoje.
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